Ordo Salutis

Venceu Nosso Cordeiro Vamos Segui-LO

10:42

Perseguições nos Vales de Piemonte

Postado por Harone Maestri Mattos


II Parte

Pablo Clemente, presbítero da igreja em Rossana, preso pelos monges de um mosteiro vizinho, foi levado à praça do mercado, onde alguns protestantes acabavam de ser executados pelos soldados. Mostraram-lhe os cadáveres, a fim de intimidá-lo com o espetáculo. Ao assistir àquele terror, disse, calmamente: “Podeis matar o corpo; porém, não podeis prejudicar a alma de um verdadeiro crente; e acerca do terrível espetáculo que me mostrastes, podeis ter a certeza de que a vingança de Deus alcançará os assassinos desta pobre gente, e os castigará pelo sangue inocente derramado”. Os monges sentiram-se cheios de furor por esta resposta e ordenaram que fosse imediatamente enforcado; e, enquanto estava pendurado na forca, os soldados, para se divertirem, puseram-se à distância e tornaram o seu corpo um alvo para seus disparos.

Daniel Rarnbaut, de Vilario, pai de uma numerosa família, foi preso e levado, juntamente com várias outras pessoas, ao cárcere de Paysana. Ali, foi visitado por vários sacerdotes, que o importunaram insistentemente e fizeram todo o possível para persuadi-lo a renunciar à religião protestante e fazer-se papista. Porém, ele se recusou veementemente, e os sacerdotes, ao ver a sua decisão, pretenderam sentir piedade por sua numerosa família, e disseram-lhe que ainda assim poderia salvar a sua vida, se afirmasse a sua fé nos seguintes artigos:

1. A presença real de Cristo na hóstia.

2. A Transubstanciação.

3. O Purgatório.

4. A Infalibilidade do Papa.

5. As missas que se celebravam a favor dos mortos liberavam as suas almas do purgatório.

6. Rezar aos santos traz a remissão dos pecados.

Daniel Rambaut disse aos sacerdotes que nem a sua religião, nem o seu entendimento, nem a sua consciência lhe permitiriam aprovar qualquer um destes artigos, pelas seguintes razões:

1. Crer que a presença real de Cristo está na hóstia é uma forte união de blasfêmia e idolatria.

2. Imaginar que as palavras de consagração fazem com que aconteça o que os papistas chamam de transubstanciação, ou seja, a transformação do pão e do vinho no verdadeiro e idêntico corpo e sangue de Cristo, que foi crucificado e, após ressuscitar, ascendeu ao Céu, é algo demasiadamente errôneo e absurdo para que sequer uma criança com a mínima capacidade de discernimento possa crer; e nada além da mais cega superstição poderia fazer com que os católicos pusessem a sua confiança em algo tão ridículo.

3. A doutrina do purgatório é mais inconseqüente e absurda do que um conto de fadas.

4. Era impossível a infalibilidade do papa e ele, arrogante e soberbamente, se apropriava de um atributo que pertence somente a Deus como ser perfeito.

5. Celebrar missas em favor dos mortos era ridículo, e somente possuía a intenção de manter a crença na fábula do purgatório, porquanto a sorte de todos fica definitivamente decidida quando a alma parte do corpo.

6. A oração aos santos para a remissão de pecados é uma adoração fora de propósito, porquanto eles mesmos tiveram a necessidade da intercessão de Cristo. Assim, pelo fato de que somente Deus pode perdoar os nossos erros, deveríamos ir somente a Ele para recebermos o perdão.

Os sacerdotes sentiram-se tão ofendidos diante das respostas de Daniel Rambaut, sobre os artigos que desejavam que ele confirmasse, que resolveram vingar sua decisão mediante o método mais cruel. Ordenaram que lhe cortassem uma articulação dos dedos das mãos a cada dia, até que ficasse sem eles; a seguir passaram aos dedos dos pés; a seguir, alternadamente, passaram a cortar-lhe um dia uma das mãos, e no outro, um dos pés; porém, ao ver que suportava os seus sofrimentos com a mais admirável paciência, fortalecido e resignado, e mantinha a sua fé com uma resolução irrevogável e uma constância inabalável, apunhalaram seu coração, e deram o seu corpo aos cães.

Pedro Gabriola, um cavalheiro protestante de considerável estirpe, foi preso por um grupo de soldados; ao negar-se a renunciar sua religião, amarraram grande quantidade de pequenos sacos de pólvora por todo o seu corpo e, ao acendê-los, fizeram com que o seu corpo voasse em pedaços.

Um grupo de soldados despedaçou a Antônio, filho de Samuel Catieris, um pobre moço completamente mudo e inofensivo. Pouco depois, os mesmos desalmados entraram na casa de Pedro Moniriat, cortaram as pernas de todos os membros da família, e deixaram que sangrassem até a morte, incapacitados de socorrer uns aos outros.

Daniel Benech foi preso, arrancaram-lhe o nariz, cortaram-lhe as orelhas, esquartejaram-no e penduraram cada parte de seu corpo em uma árvore.

Quebraram as mandíbulas de Maria Monino e deixaram-na sofrer até morrer de inanição.

Maria Pelanchion, uma formosa viúva, vizinha da cidade de Vilario, foi presa por um pelotão das brigadas irlandesas, violentaram-na, esfolaram-na violentamente, arrastaram-na a uma alta ponte que cruzava o rio e despiram seu corpo. Penduraram-na pelas pernas na ponte, de cabeça para baixo, entraram nos barcos e dispararam contra ela como se fosse um alvo, até que morreu.

Maria Nigrino e sua filha, que era débil mental, foram despedaçadas nos bosques, e os seus corpos deixados como pasto para as feras.

Susana Bales, uma viúva de Vilário, foi trancada entre quatro paredes até que morreu de fome. Susana Calvio fugiu de alguns soldados e escondeu-se em um celeiro. Eles, então, atearam fogo à palha e mataram-na queimada.

Pablo Armand foi cortado em pedaços; um menino chamado Daniel Bertino foi queimado. Arrancaram a língua de Daniel Michialino e deixaram-no morrer nesta condição.

Andreo Bertino, um ancião de idade muito avançada, coxo, foi mutilado cruelmente e, ao final destripado, e as suas entranhas levadas na ponta de uma arma conhecida como alabarda.

A Constância Bellione, uma dama protestante presa por causa de sua fé, um sacerdote perguntou se renunciaria ao diabo e iria à missa; ela lhe respondeu:

“Fui criada em uma religião na qual sempre fui ensinada a renunciar ao diabo; porém, se cedesse a vossos desejos e fosse à missa, seguramente o encontraria ali sob vários disfarces”. O sacerdote enfureceu-se com estas palavras e disse-lhe que se retratasse ou sofreria cruelmente. A dama, contudo, disse-lhe valorosamente que, apesar de todos os sofrimentos que pudessem afligi-la, ou de todos os tormentos que viesse a enfrentar, manteria a sua consciência pura e a sua fé inviolada.

O sacerdote ordenou, então, que cortassem pedaços de sua carne, de várias partes de seu corpo; crueldade que ela suportou com a paciência mais inusitada, e disse ao sacerdote: “Que horríveis e duradouros tormentos sofrerás no inferno pelas pobres e passageiras dores que agora sinto!”. Exasperado pelas palavras da mulher, e desejoso de fechar-lhe a boca, ordenou a um pelotão de mosqueteiros que se aproximassem e disparassem contra ela, pelo que logo morreu e selou seu martírio com o seu sangue.

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