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11:06

John Wycliff (1320 - 1384)

Postado por Harone Maestri Mattos


John Wycliff nasceu na cidade de Yorkshire, Inglaterra, em 1320. Estudou na Universidade de Oxford, onde concluiu doutorado em Teologia em 1372. Por ser o mais eminente teólogo de seus dias, teve a oportunidade de ser o capelão do rei Ricardo II com acesso ao Parlamento, e de traduzir a Bíblia, junto com seus associados, do Latim para o Inglês, tornando-se o tradutor da primeira Bíblia para a língua inglesa.

As pessoas acham que a volta da Bíblia ao povo teve influência apenas através de Calvino e Lutero, líderes da Reforma. No entanto antes da Reforma houve diversas tentativas de reformas que visavam descentralizar o poder político e religioso dos papas que também contribuíram para que a população, de um modo geral obtivesse livre acesso às Escrituras Sagradas.

Os problemas representados por um papado corrupto e extravagante que morava na França e não em Roma, e pelo cisma que se seguiu à tentativa de levar de volta o papa para Roma, fomentaram o ímpeto que levou os reformadores do século XIV e os humanistas bíblicos, a procurarem formas de produzir um reavivamento espiritual dentro da Igreja Católica Romana.

Ao povo inglês desagradava enviar dinheiro para um papa em Avignon, que estava sob influência do inimigo da Inglaterra, o rei francês. Este sentimento nacionalista natural aumentou o ressentimento real e da classe média, por causa do dinheiro desviado do tesouro inglês e da administração do estado inglês através dos impostos papais. Naquela época, a Igreja Romana além de ser riquíssima, possuía um terço de toda a terra da Inglaterra e era isenta de todos os impostos. Os sete papas que regeram desde Avignon tinham a reputação de lobos ao invés de pastores de ovelhas, por causa de sua conduta, suas políticas e ganâncias pelo dinheiro e poder. Foi em meio a este clima de reação nacionalista contra o eclesiasticismo que Wycliff entrou em cena desafiando o papa.

Até 1378, Wycliff queria reformar a Igreja Romana através da eliminação dos clérigos imorais, doutrinas corruptas e contrárias aos ensinamentos bíblicos e pelo despojamento de propriedades que, segundo ele, era a fonte da corrupção. Em uma obra de 1376 intitulada “Sobre o Senhorio Civil”, Wycliff exigia uma base moral para a liderança católica. Deus concedia aos líderes o uso de bens, mas não a posse de propriedades, como um depósito a ser usado para a sua glória. A falha da parte dos papas em cumprir suas próprias funções era uma razão suficiente para a autoridade civil tomar os seus bens.

Vivendo na época da “Guerra dos Cem Anos” entre a Inglaterra e França, Wycliff começou sua reforma atacando a autoridade papal em 1378, e a se opor aos dogmas da Igreja Católica Romana, afirmando que Cristo e a Bíblia eram a autoridade única para o crente . Por causa disso, ele tornou a Bíblia acessível ao povo comum em sua própria língua. Em 1380, terminou a tradução completa do Novo Testamento, e em 1382, seu cooperador Nicholas de Hereford, terminou o Velho Testamento.

O papa Gregório XI o condenou, mas Wycliff foi protegido por várias famílias nobres do reinado, especialmente pelo Duque de Lancaster, filho de Eduardo III. Também na mesma época, refutou a doutrina católica da transubstanciação, evidenciando que o padre não podia reter a salvação das pessoas por ter em suas mãos o “corpo e o sangue de Cristo” na comunhão. Ele condenou o dogma do purgatório, uso de relíquias, romarias, venda de indulgências e o ensino da infalibilidade papal.

A partir de 1381, Wycliff dedicou-se ao estudo das Escrituras e a escrever algumas obras muito importantes que defendiam a veracidade da Palavra de Deus, além da tradução da Bíblia. As obras mais proeminentes foram:
A Verdade das Sagradas Escrituras: escrita em 1378, na qual ele retrata a Bíblia como regra de fé e prática, pela qual a Igreja, as tradições, os concílios e inclusive o papa deveriam ser provados. Ele também escreveu que as Escrituras contêm tudo necessário para que o homem seja salvo, sem necessidade de tradições adicionais. Wycliff defendia que as Escrituras deveriam ser lidas por todos os homens e não somente pelos líderes católicos.

O Poder do Papa: escrita em 1379, na qual ele descreve o papado como um cargo instituído pelo homem e não por Deus. Ele explica que o poder do papa não se estende ao governo secular, e que sua autoridade não é derivada do seu ofício, mas sim de seu caráter moral e cristão. Ele dizia que o papa que não seguia a Jesus Cristo, era o Anticristo.

Apostasia: escrita em 1379, na qual ele condena a doutrina romana da transubstanciação.

Eucaristia: escrita em 1380, uma extensão da obra anterior, onde ele denuncia esta heresia em vários aspectos como: inovação recente, filosoficamente incoerente e contrária à Bíblia Sagrada. Ele condena o ensinamento que diz que o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue de Cristo. Em seu livro, Wycliff descreve que o pão e o vinho mantém a sua forma, sendo um sacramento em memória do corpo e do sangue de Cristo.

Para se certificar que o povo inglês não permaneceria nas trevas dos dogmas católicos, Wycliff fundou um grupo de pregadores leigos chamados Lolardos, os quais pregaram os seus ensinamentos por toda a Inglaterra, até que a Igreja Romana em 1401, por força da declaração pelo Parlamento, introduziu a pena de morte como castigo para os tais pregadores. Entretanto, estes jamais foram aniquilados. Os Lolardos ajudaram a preparar o caminho, ainda que discretamente, para a grande Reforma na Inglaterra.

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